A pior parte na luta contra o rodeio foi incluir este programa na agenda, já que tivemos que acompanhar e documentar o evento.
Mas, toda experiência é valida e sempre há o que aprender, mesmo não sendo aquele, um lugar saudável para se frequentar.
Além da tortura que os animais sofrem, no canto escuro daqueles labirintos que passam até chegarem na tão famosa e sofrida arena, mesmo de longe, vendo o “show” da arquibancada, somos torpedeados de imagens grotescas que qualquer pessoa com um mínimo de sensibilidade percebe e se incomoda.
No primeiro dia de rodeio, como comemoração e talvez resposta à retomada do espetáculo, que por pouco não foi paralizado com uma medida cauletar, os peões de calças justas, com cintos brilhosos e fivelas douradas, capricharam nos fogos e o evento, por 10 minutos, pareceu um Reveillon de tanta luz e barulho que até os cães de bairros distantes, se afugentaram, de medo.
Até nós, na arquibancada levamos susto. Que dirá os touros, não é?
Uma tortura barulhenta e luminosa, porém sutil, para a arena de ignorantes que vibravam com o espetáculo de mau gosto, onde um triste palhaço dava cambalhotas na arena e fazia gestos obscenos, enquanto o cowboy, animador da ” festa” gritava pra plateia: ” Quem é loura levanta a mão!” ” Peão gosta de loura!” “Depois de hoje, qualquer coisa é mole pra nós” “Não é por causa de meia duzia de pessoas que vamos acabar com alegria de vocês!” … enquanto os bobos da corte animavam a plateia, os touros estavam alí, na cara de todos, minutos antes de entrarem na arena, sendo pisoteados e humilhados, cercados, em um cubículo, por um bando de homens de chapéus e camisas xadrez que puxavam o sedem com tanta força que os touros tentavam pular por cima das baias . E o povo vibrava!
Assustador também ver o touro em posição vertical, mesmo sem um peão em suas costas, tentado se livrar da cinta que estrangula seus órgãos … Tristeza, ver o touro procurando sempre a mesma porta de saída daquela arena, às vezes dando cabeçadas no portão, totalmente adestrado, pois já aprendeu que aquela passagem, onde os peões retiram a tal cinta, significa alívio.
Os homens de chapéu se acham valentes, mas de valentes não têm nada! São covardes. Valente é o touro que pra escapar de um matadouro enfrenta uma arena insandecida que frequenta o show , na esperança de ver o touro vencer e pisotear o peão.
Não porque sentem compaixão pelo touro, sentem o mórbido prazer que o ser humano tem em presenciar humilhações, malvadezas, perversidades e desgraça. Quem nunca notou o prazer daqueles que param pra ver ( não socorrer) um acidente na beira da estrada?
Cena bastante constrangedora para alguns “semelhantes”.
E o cowboy continua gritando na arena e faz uma miscelânea de palavras… usa a imagem de Nossa Senhora da Aparecida, o nome de Deus e Jesus Cristo e se ajoelham e rezam pela proteção dos peões (coitados) e pelas crianças chacinadas em Realengo…
Estranha preocupação com as crianças , há dúzias delas, penduradas na frágil cerca que ” protege” a plateia.
E continuam… Pedem saúde para a família do Doutor, dono da companhia de rodeio, e aproveita e conta um pouco da sua formação em veterinária em uma conceituada faculdade e da sua tão nobre familia.
Pessoas de família, escolarizadas, de religião, pessoas com compaixão…
Como se em CCZs, abatedouros e frigoríficos não houvesse doutores trabalhando.
Repetem continuamente o discurso, como quem diz : ” Somos do bem e estamos aqui para sua diversão”.
Uma farsa do começo ao fim!
O rodeio é o exemplo do pouco caso das prefeituras com o povo. O povo não precisa desse espetáculo vazio, acultural.
O povo precisa de informação de qualidade, para poder absorver cultura e distinguir aquilo que não presta.
Com o valor gasto nos três dias de rodeio, a prefeitura de Volta Redonda poderia ter construído o hospital veterinário gratuito que deve a nossa cidade. Isso sim é um espetáculo que dura mais de três dias!
Se a preocupação é agradar, é ganhar voto, saibam Srs Prefeitos que a quantidade de visitas que temos em nosso site, por mês, supera o número de pessoas que estavam naquela arena, nos três dias de “espetáculo”.
Depende de nós a conquista de uma vida com mais qualidade.
Não se contente com pouco, pois quem paga a ” festa”, somos nós.
Em breve, divulgaremos os laudos e fotos dos bastidores do rodeio de Volta Redonda, em 2011.
Vira-Lata