Justiça sentencia prefeitura a revitalizar abrigo de animais em Caxias do Sul
31/05/2011Em 2010 o município foi condenado pela Justiça a reformar a chácara da Soama e oferecer melhores condições para os 1,8 mil cães e gatos abrigados na entidade. Chamada de favela de cães por jornalistas ingleses, a chácara entrou em colapso pela falta de estrutura e de recursos financeiros. A sentença da juíza Maria Aline Fonseca Bruttomesso, tornada pública ontem, julga procedente a ação civil pública movida pelo Ministério Público (MP) ainda em 2008. Além de a Justiça exigir melhorias na infraestrutura, o município terá de pagar uma indenização pelos danos ambientais. Um inquérito civil instaurado pela promotora de Justiça Janaína De Carli dos Santos apontou contaminação da água e do solo provocada pelos dejetos dos animais e pela ausência de um sistema de tratamento do esgoto. O valor da indenização, a ser repassada ao Fundo Estadual do Meio Ambiente, será calculado em liquidação de sentença. A condenação foi comemorada pela Soama.
Estamos muito contentes com a decisão. Espero que isso nos ajude a melhorar a situação dos cães e gatos que foram abandonados pelas pessoas — comemora a diretora de marketing da Soama, Natasha Valenti.
Durante o trâmite da ação, a procuradoria-geral do município tentou alegar que a responsabilidade pela manutenção e recuperação da chácara era de competência exclusiva da entidade. A prefeitura se eximiu da responsabilidade justificando o repasse mensal de R$ 25 mil à Soama por meio de um convênio, valores considerados insuficientes para manter a chácara. A juíza, porém, entendeu que é dever moral do poder público a preservação do meio ambiente como forma de garantir a sustentabilidade social, o que inclui um melhor tratamento para os animais.
Na sentença, a magistrada destaca que o município deixou de fiscalizar a chácara, apesar de ser responsabilidade a prevenção de danos ambientais. Maria Aline ainda determina que as reformas sejam feitas em caráter de urgência, pois a situação representa risco à saúde pública.
A promotora de Justiça Janaína De Carli dos Santos disse que a ação civil pública foi o único meio que restou ao Ministério Público (MP) para amenizar a degradação da chácara da Soama. Houve várias tentativas com a prefeitura e a Soama para solucionar o problema amigavelmente, o que não ocorreu. Janaína ingressou com a ação em janeiro de 2008, embasada por denúncias de vizinhos da chácara e por integrantes da entidade que reclamavam da contaminação das águas, do forte odor e de maus-tratos aos animais.
As exigências do MP :
Recuperação dos danos ambientais.
Revitalização da chácara: a própria prefeitura apresentou ao Ministério Público em 2005 um projeto de revitalização, com previsão de construção de canis e de um sistema de tratamento de efluentes, mas nunca executou a proposta.
Medidas paliativas: o MP determina que a prefeitura tome medidas paliativas para reduzir o dano ambiental na chácara, enquanto o projeto de revitalização não fica pronto.
Verba reservada para a revitalização: o MP pede que a prefeitura preveja no orçamento recurso para executar as mudanças na chácara da Soama. A promotoria pede que seja reservado pelo menos um terço do valor do projeto.
Programa de castração: a ação determina que a prefeitura coloque em prática, um projeto de castração a ser executado em bairros, principalmente de periferia, onde o número de cães e gatos soltos é grande. A secretária municipal da Saúde, Maria do Rosário Antoniazzi, ressalta que esse projeto já é executado pelo município e vem sendo aumentado gradativamente.
Atualmente a prefeitura de Caxias do Sul , castra e chipa animais de rua.
São 700 castrações mensais e 25mil reais repassados pela prefeitura para ONG SOAMA, através de convênio.
Fonte: Jornal Pioneiro – Grupo RBS













