Archive for agosto, 2011

Derruba a mãe, Peão – Texto de Lilian Buzzetto

29/08/2011

Derruba a mãe, Peão

Por Lilian Buzzetto

Poucas vezes na vida algo me deixou tão revoltada quanto o peão de Barretos que quebrou a coluna de um bezerro. O bicho estatelado na arena, carregado por não conseguir levantar não vai sair da minha memória por muito tempo. (Pedi expressamente para não ilustrarem o texto com a foto do evento porque não quero nenhuma célula ou pixel daquela besta perto de mim)

Quando vejo coisas assim perco a vontade de salvar o planeta – sinto ganas de usar mais plástico, poluir, sujar, colaborar para que a obra divina seja o mais fodida possível. Para garantir, escrevo esse texto com o chuveiro ligado, gastando bastante água e energia. Por quê? Porque não tenho a menor vontade de deixar um mundo melhor para as próximas gerações… Aliás, sequer sei se uma próxima geração de gente é boa idéia. Gente como esse César Brosco e todos os espectadores pendurados em volta fazem com que eu queira a humanidade varrida da existência. Algumas outras espécies inocentes vão junto, claro, mas – venhamos e convenhamos – elas já estão bem ferradas por coabitar o planeta conosco pra começar. E, abrindo espaço, quem sabe evolua alguma forma de vida que preste para povoar a esfera azul. Aliás, falando em espécie, recuso-me terminantemente a acreditar que eu e essa peãozada fazemos parte da mesma. Prefiro ser chamada de vaca a compartilhar qualquer semelhança com essa raça de gente que usa fantasia de texano fora de festa temática. E me sentiria muito mais digna usando os chifres do que o chapéu.

Como bradei aos quatro ventos ao saber da notícia, o Código Penal me proíbe de ameaçar ou tomar a atitude que eu acho cabível com essa criatura e seus pares… ok. Mas não há nada na lei me tolhendo o direito de torcer que eles terminem suas vidas tão tetraplégicos quanto o bezerro na arena.

Desejar não é crime e eu desejo muito que essa gente se foda. De preferência, num acidente que envolva um chifre enfiado no reto levando o saco na ponta de lambuja. Sim, minha alma está enegrecida pelo ódio e muito provavelmente eu preciso aprender algo sobre compaixão e perdão. Talvez, eu devesse sentir pena desses ignóbeis. Mas eu não sou tão correta assim. Prefiro odiar irracionalmente, correr o risco de ser reprovada na vida e reencarnar como besouro rola bosta a voltar junto com a trupe do chapéu.

Preconceito? Não tem nada de pré nisso. É PÓS CONCEITO. Depois de tudo que já li, vi e ouvi sobre touradas, rodeios, brigas de galo e atividades de lazer que machucam os animais, desconfio que a humanidade tem muito mais psicopata enrustido do que a gente quer acreditar… E psicopata é o termo correto, na minha opinião, porque sentir prazer com o sofrimento de animais é parte da velha Tríade de McDonald que os psiquiatras usam para identificar a escória humana que não tem solução. [Sou capaz de apostar que a maioria deles mija na cama também] Nem mesmo quando ouço sobre crimes hediondos fico tão indignada. Assassinatos, estupros, gente botando fogo em filho… nada me revolta neste nível. Talvez porque, no fundo, mesmo quando há gente inocente sofrendo, é tudo parte da mesma raça e a humanidade que se entenda. Agora, os animais, menos evoluídos, não deveriam ter nada a ver com a parcela escrota da população que mata – não para comer, não para se defender, não para disputar algo necessário para a sobrevivência – mas para se divertir de alguma forma distorcida e sádica.

Se esses machões precisam demonstrar algum tipo de brutalidade para se sentirem bem, deveriam passar o resto da vida quebrando pedra na Sibéria (ou minerando a Patagônia, por proximidade) para mostrar a força. Ou tal corja poderia ser condenada a puxar carroça pesada no lugar do burro – o que serviria bem para exibir potentes músculos e, de quebra, para fazer algo que preste. Eu acho.

Não posso fazer muita coisa além de não compactuar e tornar público o quanto detesto esses esportes que envolvem a prática de maus-tratos com os animais e seus respectivos praticantes. Mas posso pedir encarecidamente para todos aqueles que souberem quem são os PATROCINADORES deste tipo de selvageria, que me avisem. Farei questão de nunca consumir um só produto que eles fabriquem – e fazer campanha contra. Não é muita coisa, principalmente sozinha, mas no mundo capitalista é o melhor jeito que conheço para agredir dentro do permitido.

E quanto à humanidade, termino com um recadinho para o superior hipotético me apropriando das palavras de George Carlin: “Se este é o melhor que você pode fazer,Deus, NÃO ESTOU IMPRESSIONADA”… Agora, deixa eu achar um site de astronomia para ver se consigo restaurar a fé em algum tipo de ser supremo onipotente e minimamente competente.

Ou torcer para que os cientistas tenham encontrado um asteróide do tamanho da Lua em rota de colisão com esta merda. E quem gosta de rodeio, pode continuar gostando. Mas não quero NENHUM contato e estou pouco me lixando para o que você pensa a meu respeito ou à minha opinião. Retribua se lixando para a minha e se afaste antes que eu vomite no tapete.

Intervenção em palestra sobre o Novo Código Florestal

19/08/2011

Fonte: VEDDAS

ASSISTA AO VÍDEO EM: http://www.youtube.com/watch?v=afTSxBL3Pm8

Durante o seminário “A Reforma do Código Florestal” realizado na manhã de em 15 de agosto de 2011 na FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), o Deputado Federal Aldo Rebello, relator do texto do Novo Código Florestal e a Senadora Kátia Abreu, Presidente da Confederação Nacional da Agricultura tiveram suas falas interrompidas por ativistas que os questionaram acerca da insensatez da proposta do Novo Código Florestal, recentemente aprovado na Câmara dos Deputados e que tramita agora no Senado Federal.

Os ativistas expuseram seus questionamentos até o momento em que foram arrastados pelos seguranças para fora do prédio da FIESP na Avenida Paulista em São Paulo. Outros ativistas aguardaram para expor os seus questionamentos ao final da palestra, que foi transmitida ao vivo pelo canal da FIESP na internet e contava com a presença de diversos veículos de imprensa.

 

Dezenas de manifestações contra o Novo Código Florestal estão acontecendo em todo o Brasil e em diversas cidades no exterior.

O site http://brasilpelasflorestas.com/ traz informações sobre o tema e o endereço http://veddas.org.br/forests traz informações sobre a mobilização internacional. ========================================================================== SÁBADO, 20 DE AGOSTO, A PARTIR DAS 13h  : CONVOCAÇÃO PARA O QUARTO PROTESTO NO BRASIL PELAS FLORESTAS: CONTRA O NOVO CÓDIGO FLORESTAL E A USINA DE BELO MONTE.

20 mil indígenas, 40 mil ribeirinhos, centenas de milhares de espécies animais e vegetais, biomas, ecossistemas e extensas àreas de florestas (614 Km) serão inundadas, outras enfrentarão a seca por conta da construção de DEZENAS DE BARRAGENS, e estão a um passo da DESTRUIÇÃO TOTAL E PERMANENTE, cujas CONSEQUÊNCIAS e DANOS IRREVERSSÍVEIS TRARÃO REAÇÕES DRÁSTICAS PARA TODA VIDA EM NOSSO PLANETA!

 

Em São Paulo, às 13 horas no vão livre do MASP Outras cidades: Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, João Pessoa, Belém, Manaus, Salvador, Brasilia, Curitiba, Recife, Fortaleza, Marabá, Santarém… cidades no Pará, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Acre e Maranhão..sairão às ruas!

NO EXTERIOR: Nova York, Miami, São Francisco, Los Angeles, Salt Lake City, Londres, Paris, Lisboa, Porto, Berlin, Canberra, Toronto, Hague, Edinburgo, Taipé, Ankara, Guadalajara, Wrexham, Copenhague… estarão lutando ao nosso lado!!

Para os eventos no exterior com mais de 16 cidades inscritas acesse http://veddas.org.br/forests

Eventos por cidade no Facebook:

São Paulo http://www.facebook.com/event.php?eid=249471545074311 http://www.facebook.com/event.php?eid=226811044029687 Rio de Janeiro http://www.facebook.com/event.php?eid=266736233352858 Porto Alegre http://www.facebook.com/event.php?eid=206949186013762 http://www.facebook.com/event.php?eid=198045060260042 Salvador http://www.facebook.com/event.php?eid=140105166078109 Belém http://www.facebook.com/event.php?eid=178312278909077

Locais:

São Paulo / Av. Paulista, vão do MASP – 13:00 hs

Rio de Janeiro / Posto 4 na Av. Atlantica em Copacabana – 14:00 hs

Salvador / Praça Campo Grande, até a Praça Municipal – 14:00 hs

Fortaleza / Praça José de Alencar, centro – 13:00 hs Recife / Praça do Derby – 14:00 hs

Brasília / em frente ao Congresso Nacional – 14:00 hs

João Pessoa / feirinha de Tambaú – 14:00h

Belém / Praça da República, em frente ao Teatro da Paz rumo ao Ver o Peso – 08h30

Belo Monte é uma usina hidroelétrica que o Governo Federal pretende construir no Rio Xingu ao custo de 30 bilhões de reais. 80% serão fornecidos pelo BNDES (dinheiro público). Vai inundar uma área igual a Curitiba (640 km2), eliminar 273 espécies de peixe, afetar a vida de mais de 60.000 pessoas, dentre elas diversas tribos indigenas que vivem na região desde antes o descobrimento do Brasil. Secará rios, extinguirá espécies vegetais e animais, e contribuirá significativamente para o aquecimento Global. Segundo especialistas, Belo Monte é ineficiente e economicamente inviável. Diversos sócios empreendedores já desistiram do negócio, concluindo que esta operação é um PÉSSIMO NEGÓCIO, além de ILEGAL e com mais de 11 ações impetradas pelo próprio Ministério Publico.

Mais informações: http://brasilpelasflorestas.com http://xinguvivo.org.br http://frentedeacaopro-xingu.blogspot.com http://sosflorestas.com.br http://veddas.org.br/forests

Rio: Palestra sobre o Direito dos Animais

15/08/2011

Walmart e Carrefour mantém mistério no fornecimento de cações

09/08/2011

ESPÉCIES DE CAÇÕES COMERCIALIZADOS PELO WALMART E CARREFOUR CONTINUAM DESCONHECIDAS

Instituto Justiça Ambiental ingressou com ação para buscar esclarecimentos sobre espécies vendidas nos estabelecimentos comerciais. A ação judicial movida pelo IJA tem como objetivo a coleta de informações sobre a cadeia produtiva e a comercialização dos cações nos supermercados. No dia 1º de agosto, o Walmart, Ibama e Instituto Justiça Ambiental (IJA) participaram da segunda audiência na Vara Federal Ambiental de Porto Alegre, RS.

O Carrefour, também réu na ação, não compareceu à audiência. “Não houve absolutamente nenhum avanço. Foi praticamente um bate-papo sem objetividade alguma, sem produzir resultados e até com momentos de exaltação e nervosismo. Por alguma razão desconhecida por nós, o Carrefour e o Ministério Público Federal não compareceram” afirma perplexo Cristiano Pacheco, diretor executivo do IJA. “Para os supermercados é interessante que seja lenta a tramitação do processo.

Já para o IJA, que busca cumprir a lei e combater a extinção dos tubarões, obviamente não. Esse problema é emergencial para nós que estamos trabalhando em rede na América Latina para combatê-lo.

O Carrefour sequer compareceu à audiência, não cumpriu o prazo para anexar os documentos solicitados pelo IJA e pela justiça, assim como não cumpriu o prazo para arrolar a lista de seus fornecedores.

Achamos inaceitável essa conduta já que provém de uma multinacional líder no setor de alimentos”, completa Pacheco. Mesmo sendo questionado diversas vezes sobre o assunto desde a primeira audiência há mais de dois meses, o Walmart afirmou que comprava cações de dois fornecedores apenas. Com espanto diante do desencontro de informações, o IJA respondeu apresentando encartes de propagandas publicitárias do Big (Rede Walmart) em jornal de grande circulação no estado do RS, com produtos à venda de fornecedores diferentes daqueles dois referidos como sendo os únicos.

Dia 30 de junho, o IJA ingressou com uma segunda ação judicial com pedido liminar contra os supermercados, incluindo como réu a União e o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, solicitando a imediata colocação de selos de identificação da espécie de cação nas embalagens, ou a retirada dos produtos até que o Walmart e Carrefour consigam indicar nos pacotes a espécie de cação vendida.

“Na verdade, isso não é invenção do IJA ou algum tipo de ‘eco-chatismo’, mas sim uma obrigação legal prevista em uma de nossas leis mais importantes, o Código de Defesa do Consumidor.

O Código obriga os supermercados a informar a origem e qualidade dos produtos. A lei protege os consumidores, o meio ambiente e até mesmo os supermercados, já que não permite a venda de produtos de origem duvidosa ou ilegal, nesse caso, a comercialização de cações e tubarões em risco de extinção ou sobreexplotados (Instrução Normativa nº 5 do Ministério do Meio Ambiente)”, explica Pacheco.

Diante da ausência do Ministério Público Federal, o IJA requereu o cancelamento da audiência, assim como requereu à Juíza Federal Substituta Dra. Clarides Rahmeier que, diante do não comparecimento do Carrefour, o mesmo não possa mais produzir as provas no prazo determinado pela magistrada e não cumprido pela empresa. “Esperamos que o processo judicial seja eficiente e esclareça as espécies de cações vendidas pelo Carrefour e Walmart em Porto Alegre.

Não entendemos o motivo da demora para o fornecimento das informações, ainda mais quando falamos em empresas líderes no segmento e comprometidas com a sustentabilidade. As informações bastariam para por fim aos processos judiciais que o IJA move. Temos certeza que os supermercados conhecem a cadeia produtiva dos cações e as espécies que estão sendo vendidas”, completa Cristiano.

Entenda o caso:  No dia 1º de junho de 2011 o Instituto Justiça Ambiental (IJA) ingressou com ação civil pública contra os supermercados Walmart, Carrefour e os órgãos ambientais Ibama e Fepam. A ação tem base no Código do Consumidor e busca informações sobre a venda de filés de cação nos supermercados. A Instrução Normativa nº 5 do Ministério do Meio Ambiente lista 17 espécies de cações e tubarões ameaçados de extinção, sobreexplotados ou ameaçados de sobreexplotação. Estes animais ocupam o topo da cadeia alimentar marinha e estão seriamente ameaçados de desaparecer, no Brasil e no mundo.

Em outubro de 2010 o IJA enviou ofícios ao Walmart e Carrefour solicitando informações e esclarecimentos sobre a comercialização de filés de cações em dois estabelecimentos de Porto Alegre, RS.

 Até o momento, os ofícios não foram respondidos e as empresas não esclareceram as espécies de cações comercializados.

Ação Civil Pública nº 5019317-04.2011.404.7100 Vara Federal Ambiental de Porto Alegre, RS Juíza Federal Substituta Exma. Dra. Clarides Rahmeier

Informações: Instituto Justiça Ambiental (IJA) cristianopacheco@ija.org.br www.ija.org.br

Decisão Judicial – São João da Boa Vista -SP não terá mais rodeios

08/08/2011

O TRIBUNAL DE JUSTIÇA de São Paulo deu decisão favorável à ação movida pela USPA contra crueldades em rodeios, na festa agropecuária , denominada EAPIC, em São JOão da Boa Vista -SP, sentença essa, extensiva a todos os eventos dessa natureza, e nos anos vindouros, dentro da comarca.

O SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA, por unanimidade, também confirmou a decisão , que finalmente transitou em julgado no mês de junho, apesar de todos os recursos tentados pelos organizadores do rodeio e pela prefeitura da cidade. Essa exaustiva batalha judicial vem desde o ano de 2006, com sucessivas vitórias da USPA,  ONG de defesa animal que enfrenta o poder econômico e político da região.

Ainda restam recursos no Supremo Tribunal Federal, mas é esperada de forma positiva, a  vitória na causa dos animais submetidos a abusos nas festas de peão, o que contribuirá também na formação de jurisprudência.